sábado, 11 de agosto de 2012

A Filosofia e a sociedade contemporânea parte II


Já o modelo de Estado e de Sociedade defendido por Thomas Hobbes nos coloca numa posição de subalternos e, ao mesmo tempo, em constante disputa e conflito com o próximo. Na sociedade atual, o modelo de Estado absoluto seria um retrocesso e um desrespeito ás diversas vítimas e pessoas que tanto lutaram para a conquista de alguns direitos, entre eles a democracia, o direito de escolher o seu representante.


 É claro que o modelo democrático não resolve todas as mazelas da sociedade brasileira, inclusive dos representantes escolhidos. O mais importante nisso tudo é o fato de sabermos que escolhemos o nosso representante e se este não corresponder aos nossos anseios, podemos nos mobilizar e destituí-lo do poder, do posto de representação.

Atualmente vivemos em uma democracia direta, uma conquista muito cara para milhares de pessoas que saíram às ruas reivindicando o direito de legar os nossos representantes através do voto direto. Esta ação estabelece a formação de um pacto social onde o cidadão abre mão do seu direito individual e o transfere para o Estado para que haja em nome dos interesses coletivos.
O problema maior é quando este pacto é quebrado pelo Estado e o mesmo não consegue dar respostas às necessidades básicas dos cidadãos.

A partir daí, inicia-se uma série de eventos que faz com que a sociedade responda a esta omissão do Estado na providência do atendimento destas necessidades básicas dos indivíduos como segurança, saúde, educação, alimentação, entre outros, com manifestações para o cumprimento das suas responsabilidades. Além da falta de credibilidade que acaba sendo posta em evidência.

Não acreditamos que o modelo deste ou daquele filósofo seja o melhor, mas podemos, através da Filosofia e da História, verificar quais modelos não devemos implantar na sociedade contemporânea. Até por que, a sociedade em que viveram estes filósofos não pode ser comparada com a atual. A Filosofia nos mostra os modelos que deram certo e os que deram errado. E isso serve como parâmetro para entendermos a realidade atual e tentarmos traça caminhos para novas relações sociais futuras. Só não podemos ignorar ou desconsiderar as conquistas e a realidade de cada grupo ou segmento.


Precisamos entender a sociedade como um corpo formado por diversas denominações religiosas, convicções ideológicas, manifestações culturais e procedência racial e étnica que estão em processo contínuo de transformação e de desenvolvimento.
 Todas estas diferenças e especificidades devem ser priorizadas se quisermos construir um projeto de sociedade com respeito e dignidade para todos os seus integrantes e que estas diferenças e especificidades é que os tornam únicos e especiais. Talvez não seja possível um modelo de sociedade ideal, mas precisamos perseguir este objetivo sempre.

Diante de novos e antigos desafios impostos à sociedade como a luta pela terra, pelo teto, pela igualdade entre os homens, pela efetiva democracia, pelo respeito e dignidade à pessoa humana, entre tantos outros, precisamos nos reportar aos estudos destes grandes filósofos da antiguidade, mas, sem esquecer dos contemporâneos, pois é neste movimento entre o antigo e o novo que poderemos estabelecer uma nova teoria que nos permita a construção desta sociedade tão sonhada.

Sabemos que é uma tarefa muito difícil para nós, simples mortais, mas não é impossível.
 Como diz Hobbes, precisamos ter ação política, ou seja, não basta pensar, ter vontade, agir é fundamental. Só assim construiremos uma sociedade que contemple e agregue todas as pessoas, todas as formas de relações sociais e o mais importante, com respeito mútuo entre todos.

(*)Adeildo Vila Nova é diretor da Associação Cultural dos Afro-Descendentes da Baixada Santista – AFROSAN e aluno do curso de Serviço Social do Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE

Posted 15th August 2008 by Adeildo Vila Nova

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