sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A privatização da cidadania parte I


O objetivo deste trabalho é tentar detectar os problemas e ou fenômenos que influenciam ou prejudicam a atividade pública do cidadão brasileiro. Para isto, foram analisados alguns artigos e livros de pensadores, filósofos, sociólogos e psicólogos que tratam da questão dos espaços públicos e dos espaços privados.


 A intenção desta produção é mostrar como o conceito de público e privado tem sofrido modificações ao longo dos tempos, através do processo sócio-histórico e político-econômico, tanto na esfera teórica quanto na esfera prática e mostrar alguns fatores que contribuíram para estas transformações que levaram ao declínio da vida pública.
São apresentados ainda, dois exemplos tanto de organismos públicos como de organismos privados, objetivando a ilustração das considerações aqui apresentadas.

Desenvolvimento

A relação entre o público e o privado, considerando a sociedade contemporânea, difere significativamente da sociedade antiga, especificamente do século VXII e está diretamente relacionado ao surgimento das cidades. A diferença entre o espaço público e o espaço privado na sociedade antiga, diferentemente da sociedade contemporânea, era perfeitamente identificável.
O contato com o espaço público não expunha a personalidade e nem a intimidade do cidadão, esta relação era equilibrada.
Enquanto uma estava relacionada à vida com os amigos e familiares, com afinidades e identificações que lhes proporcionava esta vida privada, a outra nos remetia à convivência com o outro e suas diferenças.
Com o surgimento das cidades, onde as pessoas do campo começaram a migrar para as áreas urbanas em busca de novas oportunidades, fenômeno percebido e acentuado com o advento da revolução industrial que, de acordo com Louis Wirth:


Essa mudança de uma sociedade rural para uma predominantemente urbana que se verificou no espaço de tempo de uma só geração em áreas industrializadas foi acompanhada por alterações profundas e em praticamente todas as fases da vida social. (Wirth apud Velho, 1976, p. 91).

A partir de todas estas transformações das relações sociais estabelecidas neste período, o homem começou a ter contato com estranhos e, automaticamente, com suas diferenças fazendo com que este homem passasse a exercer um papel social atuando de acordo com um código que é aceito por todos e definido por meio desta relação estabelecida.
A partir daí, a vida urbana começa a ser enfraquecida, ocasionando o declínio da vida pública que, segundo Sennet:

“... foram mudanças ocasionadas pelo capitalismo no comércio de produtos, com a homogeneização dos produtos através da Revolução Industrial, além de uma produção em massa que transformou significativamente as relações entre o indivíduo que compra e o indivíduo que vende”. (Sennet apud Souza, 2003).

Continua aqui

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