domingo, 28 de outubro de 2012

Saúde da População Negra é discutida na Região

A Saúde da População Negra na Região Metropolitana da Baixada Santista foi discutida em seminário regional realizado na cidade de Praia Grande.


Mesa de abertura do Seminário
O Comitê Técnico Regional de Saúde da População Negra da Região Metropolitana da Baixada Santista (CTRSPNRMBS), órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria Regional de Saúde  - Região Santos (DRS IX), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e o Conselho Municipal de Saúde, ambos de Praia Grande, realizaram seminário regional no último dia 25, no auditório da Secretaria Municipal de Educação de Praia Grande, na Vila Mirim. O evento também foi parte integrante das atividades alusivas ao Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, dia 27 de outubro. Essa data foi escolhida pelas organizações do Movimento Negro no Brasil para lembrar que, apesar dos avanços conquistados na área da saúde, as desigualdades raciais ainda persistem. 

Homenagem à Capoeira
Os objetivos principais do Seminário são os de discutir a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e apresentar dados sobre a Saúde da População Negra na Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS). Essa política tem o propósito de garantir maior grau de equidade no que tange à efetivação do direito humano à saúde, em seus aspectos de promoção, prevenção, atenção, tratamento e recuperação de doenças e agravos transmissíveis, incluindo aqueles de maior prevalência nesse segmento populacional e está fundamentada nas evidências das imensas desigualdades em saúde dessa população, expressando o compromisso do governo com a diminuição dessas desigualdades.

O evento contou com a participação do representante do secretário municipal de saúde da Praia Grande, de conselheiros estaduais da Comunidade Negra, o sr. José Ricardo e a sra. Aglai Viriato, além da presença do presidente e do vice-presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Praia Grande, sr. João José Nascimento Filho e o  Babalorixá Gladston Bispo, respectivamente. Diversas organizações e entidades do Movimento Negro também estavam representadas como  a Associação Cultural dos Afro-descendentes da Baixada Santista (AFROSAN), Educação para a Cidadania de Negros e Carentes (EDUCAFRO), Federação Nacional dos Orixás (FENORIXÁ) entre outras. Houve a participação também de representantes de universidades, escolas e secretarias de saúde da região. 

Após a mesa de abertura com as autoridades presentes, foi dado início às discussões. A primeira mesa ficou a cargo da psicóloga Marise Borges que fez um apanhado geral sobre as atividades do Comitê desde a sua instituição e em seguida apresentou a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, destacando ponto a ponto, artigo por artigo, a sua importância para a eliminação das desigualdade em saúde da população negra. Logo em seguida, o Professor Doutor Wilson Sabino fez uma apresentação com o Estudo Comparativo das Desigualdades Raciais ao Morrer no Brasil. A apresentação teve o objetivo de descrever o padrão de mortalidade da população negra, segundo raça/cor, no Brasil comparando com o Estado de São Paulo e a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS). 

Professor Doutor Wilson Sabino
De acordo com os resultados do estudo apresentados pelo Dr. Wilson Sabino, observações no Brasil, quando comparados as outras regiões de estudo, na população raça/cor branca, maiores proporções de falecimentos nas doenças neoplásicas (18,4%). Já estre os negros as causas externas (14,4%), sintomas e sinais achados anormais (8,2%), doenças endócrinas nutricionais e metabólicas (6,4%) e as afecções originadas no período perinatal (4,5%). As maiores taxas de falecimentos encontradas na população negra na RMBS, quando comparada à branca também na RMBS, foram nas causas externas (58 por 100 mil hab.), doenças endócrinas e nutricionais e metabólicas (39,1 por 100 mil hab.), doenças do aparelho digestivo (39 por 100 mil hab.), infecciosas e parasitárias (36,3 por 100 mil hab.). O estudo conclui que, possivelmente, a desigualdade racial em saúde existente no país, constitutiva da polarização epidemiológica, estaria influenciando diretamente o atraso da transição epidemiológica, pois ainda além das doenças crônicas degenerativas, convive-se com causas de  morte típicas de países pobres e maior motivo de falecimentos entre a população negra quando comparada à branca. 

Homenagens recebidas pelo Comitê
Em seguida a Dra. Cláudia apresentou dados sobre a anemia falciforme e sua complicações para a saúde das pessoas e da importância da detecção precoce da doença nas crianças através do teste do pezinho, o que é determinado por portaria do Ministério da Saúde. A Dra. Cláudia ainda fez críticas severas ao poder público, especialmente ao da cidade de Praia Grande, em relação à disponibilização de medicamentos para a população não ter que se deslocar de Praia Grande até a cidade de Santos para tomar alguns tipos de medicamentos, injeções e vacinas. 

O evento foi marcado por diversas homenagens a algumas pessoas e entidades que se destacaram na luta por uma melhor qualidade de vida da população em geral e especificamente da população negra. Também contou com a participação de diversas atividades culturais como música, dança e capoeira. 



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