quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Livro sobre Mulheres Negras será lançado em Santos


O Lançamento do livro faz parte das comemorações em homenagem ao Dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.

Capa da livro
A trajetória de vida das mulheres negras na sociedade brasileira é o mote principal de um livro que será lançado no próximo dia 19, às 10h. da manhã, no Centro Europeu de Profissões e Idiomas, na Rua Timbiras, 7, no Gonzaga, em Santos. Com o título Mulheres Negras: histórias de resistência, de coragem, de superação e sua difícil trajetória de vida na sociedade brasileira, o livro relata a história de vida de 8 mulheres negras, de origem pobre e que conseguiram ascender socialmente, politicamente e/ou profissionalmente. São histórias de resistência, de coragem e de superação na sua difícil trajetória de vida.

O livro é o resultado de um trabalho de pesquisa científica para a conclusão do curso de graduação em Serviço Social, dos estudantes e agora profissionais do Serviço Social, Adeildo Vila Nova e Edjan Alves dos Santos que, por mais de um ano se envolveram com essa temática para adquirirem o título de bacharel em Serviço Social. Com uma pesquisa bibliográfica extensa e mais de 10 horas de gravação de entrevistas, o trabalho se apresenta como mais uma fonte de pesquisa para futuros pesquisadores, tendo em vista a escassez de bibliografias que tratam desta temática.

Adeildo Vila Nova
Umas das conclusões do estudo é de que ser mulher e negra no Brasil significa estar inserida num ciclo de marginalização e discriminação socioeconômica e racial e de que a melhoria da posição social do negro, e especificamente da mulher negra, é o resultado de um esforço gigantesco demonstrado através da sua capacidade de resiliência, de enfrentamento e de superação destas desigualdades. De acordo com os autores, as mulheres negras vivenciam no seu cotidiano situações de violência que ultrapassam os limites da dignidade humana, muitas vezes de forma visível, mas também, envolvidas numa invisibilidade perversa.
A educação é apresentada com um instrumento de emancipação socioeconômica e político cultural das pessoas, inclusive da comunidade negra e mais especificamente da mulher negra, que é triplamente discriminada: por ser pobre, por ser mulher e por ser negra. Os autores ressaltam que o acesso à educação, seja ela formal ou informal, é permeado por uma série de dificuldades, principalmente em se tratando de uma população que sempre esteve à margem da sociedade e que, cotidianamente, lida com questões de sobrevivência.

Edjan Alves dos Santos
Os autores entendem que a questão de gênero associada à questão racial, coloca a mulher negra em condições extremamente desiguais em relação aos demais cidadãos brasileiros e que, diante da realidade apresentada pelos sujeitos da pesquisa, através de suas histórias de vida, de suas trajetórias e das estratégias utilizadas para a superação de todas as adversidades colocadas no seu cotidiano, torna-se urgente a criação de medidas que possam transformar esta realidade, para que estas mulheres não precisem se valer de esforços desumanos para ter a sua cidadania respeitada.

De acordo com a pesquisa, os autores apontam as políticas de ações afirmativas como uma das estratégias para a superação dessas desigualdades e disparidades existentes entre o homem e a mulher, entre os negros e os não negros.

A publicação é uma realização da Associação Cultural dos Afrodescendentes da Baixada Santista (AFROSAN), em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, por meio da sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias (ACGE) e o Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo.

O livro também será lançado em São Paulo, no próximo dia 22, às 19h., na Casa das Rosas, na Av. Paulista, 37.