sábado, 22 de dezembro de 2012

AÇÃO DO CORAÇÃO VIRA LEI MUNICIPAL

Foi publicada no último dia 20 de dezembro a lei que institui no calendário oficial do município de Santos o Dia da Ação do Coração, a ser comemorado anualmente no dia 02 de agosto.

A Ação do Coração foi uma das mais belas celebrações do amor, de fé e de esperança que reuniu cerca de 20 mil pessoas na Praça Mauá, em Santos, litoral sul do estado de São Paulo. A Ação do Coração é uma homenagem ao ator santista Eduardo Furkini, falecido em 2 de agosto de 2011. Foi idealizada e realizada pela Associação Eduardo Furkini, fundada para preservar a memória do ator. Durante alguns meses que antecederam à data, com grande mobilização, as pessoas se reuniram para confeccionar diversos corações. Essa confecção era feita sempre com pensamentos e boas intenções para que, no dia 2 de agosto, pudessem ser distribuídos, formando uma verdadeira corrente de amor, fraternidade e solidariedade. 

Prefeito de Santos discursando após a assinatura da Lei
Municipal que institui o Dia da Ação do Coração na cidade.
A assinatura da Lei Municipal 2.884, de 19 de dezembro de 2012 foi realizada pelo prefeito de Santos, o engenheiro João Paulo Papa, na abertura da Mostra Fotográfica Ação do Coração e é fruto da participação em massa dos santistas na atividade. "A Ação do Coração foi o acontecimento coletivo mais marcante que presenciei nos últimos anos. Nunca vi um público tão grande. Foi um magnífico ato de fé e amor ao próximo. Isto mostra também como Santos é uma cidade de vanguarda", ressaltou o prefeito. Para o irmão do homenageado e um dos idealizadores da campanha "o verdadeiro combustível do ser humano é o amor, é o que move o mundo e o que nos dá energia". Segundo ele, a repercussão do evento correu o Brasil e o mundo por meio da internet e das redes sociais. A solenidade de assinatura da lei foi realizada durante o lançamento da Mostra Fotográfica Ação do Coração e pré-lançamento do livro O Dia do Amor: Diário da Ação do Coração, que contou com diversas atrações culturais e artísticas. Entre elas a apresentação da cantora Didi Gomes, acompanhada pelo seu pai ao violão, deu um show de interpretação e de talento. Um encontro musical de gerações. Em seguida o Quarteto Eduardo Furkini, um dos projetos da Associação Eduardo Furkini, onde os alunos recebem bolsas de estudo para sua formação musical. O quarteto de cordas é formado pelos músicos Leandro, Carol e Henrique (violinos) e Jefferson (violoncelo). O quarteto acompanhou o ator Alexandre Camilo na contação de uma belíssima história de amor e de preservação de valores e vínculos familiares. Todo o evento foi marcado pela emoção de todos os presentes. A emoção surgiu especialmente durante a exibição do vídeo produzido pela TV Tribuna, afiliada da Rede Globo de Televisão, com os principais momentos da Ação do Coração. A emoção do dia 2 de agosto renasceu naquele momento e fez brotar em cada um dos corações presentes os sentimentos de fraternidade, solidariedade e de amor ao próximo. 

A Mostra Fotográfica

Exposição com 57 imagens captadas por 17 fotógrafos no
dia do Evento, sob a curadoria de J. A. Sarquis
Toda essa mobilização e comoção causada nas pessoas e nos meios de comunicação, além do registro fotográfico por diversos profissionais experientes e renomados na cidade resultou na Mostra Fotográfica Ação do Coração, que será realizada de 20 de dezembro de 2012 a 27 de janeiro de 2013, de terça a domingo, das 15h. às 21h, no SESC/Santos, no Foyer do Teatro. O SESC fica na rua Conselheiro Ribas, 136, no bairro da Aparecida. A entrada é Franca. O curador da Exposição é o fotógrafo José Alberto Sarquis. Conta com 57 imagens captadas por 17 fotógrafos durante o evento. Para o curador da Exposição "um evento do porte e da magnificência como foi a Ação do Coração, que mobilizou tal quantidade e diversidade de pessoas na sua etapa de confecção de corações e que congregou tamanha multidão na Praça Mauá, no dia 2 de agosto, não poderia deixar indiferentes a grande parte dos fotógrafos da cidade. José Alberto Sarquis é argentino e reside em Santos desde 1980, é fotógrafo profissional e também professor dessa arte desde 1989. Oferece, em seu estúdio, cursos regulares de Fotografia Básica, Fotografia em Estúdio e Linguagem Fotográfica. 

O Dia do Amor: Diário da Ação do Coração

Como parte das atividades resultantes da Ação do Coração, também será lançado o livro O dia do Amor: Diário da Ação do Coração. Durante o pré-lançamento, que ocorreu junto com o lançamento da Mostra Fotográfica e da solenidade de assinatura da lei municipal que cria o dia da Ação do Coração, o ator Alexandre Camilo apresentou alguns projetos da AEF e aproveitou para fazer uma das suas brilhantes atuações contando-nos uma linda história de amor. A publicação do livro O Dia do Amor tem o objetivo de  arrecadar fundos para a manutenção dos projetos desenvolvidos pela instituição. Todos os materiais apresentados no livro, fotos e textos, foram cedidos pelos seus autores à Associação Eduardo Furkini. No evento foi anunciada a pré-venda do livro, que terá o custo simbólico de R$ 50,00 (cinquenta reais) e poderá ser adquirido no dia do lançamento oficial, no dia 26 de dezembro de 2012, às 20h., no Teatro Coliseu, sito à Rua Amador Bueno, 237, no Centro de Santos.   

Associação Eduardo Furkini

Alexandre Camilo, ator e idealizador da Campanha Ação do
Coração e fundador da Associação Eduardo Furkini.
A Associação Eduardo Furkini (AEF) é uma organização da Sociedade Civil, sem fins lucrativos, que nasceu do desejo de manter viva e perpetuar a memória do ator Eduardo Furkini, uma pessoa cativante e possuidora de múltiplas capacidades. O objetivo social da AEF é atender a jovens maiores de 18 anos por meio de concessão de bolsas de estudos prioritariamente para a formação em profissões ligadas à saúde, turismo, idiomas, contação de histórias e esportes. A motivação para a realização da Campanha Ação do Coração surgiu quando, em uma viagem à cidade de Viena, na Áustria, o ator santista Eduardo Furkini conheceu a experiência de uma Organização Não Governamental (ONG) que realiza uma exposição anual de corações. Esses corações são confeccionados em várias cidades da Áustria, nos mais variados tamanhos e cores. A única condição é que quando esse coração, ao ser confeccionado, seja carregado com o sentimento de uma boa intenção para a pessoa que for pegá-lo e levá-lo pra casa. A iniciativa da AEF em realizar essa Ação em nossa cidade parte do gesto fraterno que comoveu e despertou em Eduardo Furkini o desejo de repetir essa experiência aqui, com o intuito de motivar a reflexão sobre o papel de cada indivíduo na sociedade como agente promotor de  boas intenções e gestos fraternos em relação ao próximo. A concretização desse desejo do Eduardo não foi possível devido ao seu falecimento.

A Associação Eduardo Furkini (AEF) fica na Av. Rangel Pestana, 318/conjunto 1/sala 1, no Jabaquara, em Santos. Maiores informações pelo e-mail associacaoeduardofurkini@gmail.com ou pelo site www.eduardofurkini.org.br. 


sábado, 1 de dezembro de 2012

O Serviço Social e a Questão Racial

Roda de Conversa organizada pelo Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS-SP) debate o Serviço Social e a sua relação com a Questão Racial.

Para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra, o CRESS-SP realizou no último dia 29 uma mesa redonda para discutir o Serviço Social e sua relação com a Questão Racial. O evento foi realizado pela Comissão Ampliada de Ética e Direitos Humanos (CAEDH) do CRESS-SP, às 19h30, na sede do CRESS-SP, sito à rua Conselheiro Nébias, 1022, Campos Elíseos, em São Paulo/SP. 

Greice de Oliveira (Assistente Social da
Coordenadoria de Igualdade Racial de Guarulhos
A assistente social Greice de Oliveira, da Coordenadoria de Igualdade Racial da cidade de Guarulhos/SP foi convidada para debater essa questão com os presentes e iniciou os trabalhos com a seguinte provocação: a questão racial é uma questão só dos negros? Essa foi a tônica do encontro. Com um público majoritariamente composto por mulheres e negras, o questionamento maior foi de como uma profissão com este perfil, que atende uma população na sua maioria negra, discute tão pouco essa questão e por que os grandes nomes da literatura do Serviço Social não abordam essa temática em seus trabalhos. Além de assistentes sociais, também estiveram presentes profissionais de outras áreas como a psicologia, além de estudantes de Serviço Social, o que enriqueceu ainda mais os debates e as reflexões. Entidades como o  Grupo de Estudos das Relações Etnicorraciais e o Serviço Social (GERESS) e o Centro de Combate ao Racismo da prefeitura de São Paulo, representado pela assistente social Naiza Santos, também estiveram presentes. 

Depois da Nigéria, o Brasil é o país que apresenta o maior número de negros na sua população. O resultado do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, no Brasil a maioria da população é negra (soma dos que se declararam pretos ou pardos), o que revela uma maior consciência sobre a identidade racial dos brasileiros, marcada por uma postura politica, ideológica e cultural que resgata a origem africana do nosso povo. Mas infelizmente essa maioria não está representada proporcionalmente nas mais diversas esferas da sociedade, seja na área acadêmica ou profissional. Os negros estão sub-representados nas camadas ditas "mais favorecidas" e sobre-representados nas áreas ditas "menos favorecidas". O que torna o trabalho do assistente social ainda mais importante no atendimento e atenção a estas questões. Mostra a importância de considerar o quesito raça/cor nas suas abordagens e encaminhamentos para benefícios e inclusão dessa população nas políticas públicas nas mais diversas áreas. 

Assistentes Sociais Cida e Maria de Jesus
(representantes do CRESS-SP e da CAEDH)
Foi um momento muito rico para a discussão sobre o olhar atento que o assistente social deve ter para estas questões. A assistente social Greice iniciou os trabalhos apresentando alguns conceitos sobre raça, racismo, eugenia, mito da democracia racial. Apresentou o racismo como uma das expressões da questão social e fez um alerta sobre a confusão que existe entre desigualdade social e desigualdade racial, pois o discurso da maioria da população é de que não existe uma questão racial e sim social. Como diz o rapper Genival Oliveira Gonçalves, o GOG, em uma das suas belas músicas, Carta à Mãe África, "nos mergulharam numa grande confusão, racismo não existe e sim uma social exclusão". Querem nos convencer que o racismo acabou. Para a assistente social o que existe no Brasil é uma má distribuição e não escassez de recursos e ainda cita uma pesquisa de Ana Volosko, médica sanitarista que, em uma de suas pesquisas, identificou que as mulheres negras são vítimas do sistema, onde, sob a alegação de que a mulher negra é mais forte, acabam recebendo menos anestesia que as não negras, na hora do parto. Uma das presentes diz que o preconceito e a discriminação "cria um calo na alma". 

Mas o que o Serviço Social tem a ver com isso? A legislação que regulamenta a profissão nos responde claramente. No Código de Ética do Assistente Social, nos princípios fundamentais VI e XI nos coloca a responsabilidade de ficarmos atentos às diversas formas de atuação sem preconceito e discriminação de qualquer tipo. De acordo com o princípio fundamental VI, devemos ter "empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças" e ainda de acordo com o princípio fundamental XI, devemos realizar o "exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física". Ou seja, a regulamentação da nossa profissão contém mecanismos que nos orientam para a prestação de serviço sem discriminação e sem preconceito. 

Participantes da Mesa Redonda
Na ocasião, foi apresentado o livro Mulheres Negras: histórias de resistência, de coragem, de superação e sua difícil trajetória de vida na sociedade brasileira, de minha autoria, Adeildo Vila Nova e da Edjan Alves dos Santos, Jane Alves. O livro foi lançado recentemente em Santos/SP, com uma grande repercussão de mídia impressa e televisiva, realizado pela Associação Cultural dos Afro-descendentes da Baixada Santista (AFROSAN) e na cidade de São Paulo, com um público expressivo que compareceu à Casa das Rosas, na av. Paulista, para receber o seu exemplar autografado. A primeira deputada federal do Brasil, a Sra. Theodosina Rosário Ribeiro, também esteve presente no lançamento, além de diversas outras autoridades como a Professora Elisa Lucas Rodrigues, assessora para assuntos parlamentares da Casa Civil, realizado em parceria com o Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo e a Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias (ACGE), órgão da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Um dos exemplares foi disponibilizado para o CRESS-SP e outro foi entregue à assistente social Greice, representante da Coordenadoria de Igualdade Racial de Guarulhos/SP. 

Como mensagem final ficou a esperança de que o CRESS-SP possa retomar as discussões e reflexões sobre o Serviço Social e suas relações com a Questão Racial na sociedade brasileira realizadas em anos anteriores por grupos formados por assistentes sociais e como os profissionais do Serviço Social, no seu fazer laboral, no cotidiano das pessoas, possam atentar para esta questão e contribuir para a diminuição das iniquidades existentes entre negros e não negros.