domingo, 3 de novembro de 2013

ENTREVISTA: MARIA ANTÔNIA DA SILVA

Psicóloga lança livro sobre as angústias e dificuldades encontradas pelos filhos que convivem com pais que usam álcool e outras drogas abusivamente e fala sobre o processo de criação.

Maria Antônia da Silva formou-se em Psicologia no ano de 1986 pela Universidade católica de Santos (UNISANTOS). É especialista em Psicilogia Jurídica pelo Conselho Federal de Psicilogia (CFP) e em Violência Doméstica contra contra a Criança e o Adolescente pela Universidade de São Paulo (LACRI/USP). Também é Mediadora, com capacitação pela Escola Paulista de Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP). Atualmente trabalha em consultório particular exercendo atividades como Psicóloga e Assistente Técnica Judicial, consultoria e assessoria em Psicologia Jurídica e Advogados, Organizações Sociais de Interesse Públicos (OSCIPs) e interessados em geral. Também dá Supervisão em Psicologia Jurídica a profissionais psicólogos e estagiários, orientação familiar, psicoterapia familiar e individual, orientação vocacional e profissional, avaliação psicológica de adultos, crianças e adolescentes, além de acompanhamento e apoio psicológico a casais em processo de adoção, guarda e separação, entre outros. 

Na entrevista Maria Antônia nos falou sobre o processo de criação do seu livro, quais as dificuldades enfrentadas nesse processo e nos dá uma ótima notícia. Afirma que dará continuidade a obra para poder acompanhar o processo dinâmico da sociedade. Confira a íntegra da entrevista a seguir: 

AVN: Maria Antônia, como surgiu a ideia de fazer uma publicação sobre o problema dos filhos que têm pais que usam drogas abusivamente?
MAS: A ideia de fazer a publicação surgiu na década de 90, quando iniciei meu trabalho como psicóloga no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP). Nos estudos de desabrigamento de crianças comecei a observar que uma grande parte das crianças ou adolescentes abrigados tinham genitores dependentes  químicos ou usuários  nocivos de substância psicoativa. Inicialmente eles citavam uso de álcool, cocaína, maconha e posteriormente também começaram a referir uso de crack. Nesta época, também prestei serviço como psicóloga numa comunidade terapêutica que atendia mulheres dependentes de drogas. Elas eram atendidas em regime de internação. A grande maioria delas tinha filhos. Na década de 90 também fiz parte do Conselho municipal sobre drogas de Cubatão (antigo Conselho Municipal de Entorpecentes).

AVN: Como foi o processo de produção e quais as dificuldades encontradas, se é que houve alguma dificuldade?
MAS: O processo de produção envolveu algumas etapas. Ele resultou do próprio preparo para a complexa tarefa de entender as famílias com este problema. A grande dificuldade vinha da própria matéria em si. Há muito se fala no Brasil sobre dependência química, mas eram raros os estudos sistematizados (estudos epidemiológicos), as estatísticas,  poucos centros de informação e poucos cursos sobre o assunto com difícil acesso. Apenas recentemente é que podemos verificar a multiplicação desses recursos. No decorrer do próprio trabalho e no processo de produção as dificuldades eram sanadas através de pesquisas bibliográficas, cursos sobre drogas, cursos de treinamento do próprio Tribunal de Justiça, simpósios, seminários, supervisões de casos. As situações complexas ajudaram bastante, pois a par dos  questionamentos próprios do trabalho, respostas  tinham que ser buscadas, pois normalmente as  situações que envolvem o uso abusivo e a dependência de drogas por  pais ou cuidadores que convivem com os filhos pedem diagnóstico, prognóstico e demanda acompanhamento por algum tempo.

ANV: A sua produção está concluída ou pretende utilizar esse material no futuro, fazer uma continuação?
MAS: A produção não está concluída. A sociedade é dinâmica, muda constantemente. A relação com as drogas também muda e estamos observando os acontecimentos, atendendo pessoas e famílias, estudando e observando estas mudanças. Então faremos a continuação de acordo com as mesmas.

AVN: O livro foi lançado pela editora All Print. Como foi o processo de escolha da Editora e o que achou do resultado? Teve muitas dificuldades nesse processo?
MAS: A All Print  é uma editora comercial com uma larga experiência  no mercado editorial. Já  a conhecia  desde  a década de 90, de um congresso que participei.

AVN: Você pretende disponibilizar o livro para download também? Em formato e-book?
MAS: Neste  primeiro momento ainda não.  É o meu primeiro livro e ainda não sei muito bem como funciona o mercado.

AVN: Assim como na música, cada vez mais os livros e revistas vem tendo suas tiragens cada vez mais reduzidas. Você acha que isso se deve apenas ao mundo corrido de hoje ou a falta de estímulo a leitura?
MAS: Sem dúvida  estes  fatores  contribuem  sim  para que a cada dia se leia menos. Isso faz com que as pessoas se tornem seletivas em suas preferências literárias. As  pessoas leem nos ônibus, nos metrôs e em muitos outros lugares, entretanto a correria do mundo moderno e a falta de estímulo faz com que as pessoas sejam  mais  seletivas, leem menos e apenas o que gostam. Penso que o fator financeiro também contribui  para este estado de coisas.  

AVN: Qual o balanço que você faz após o lançamento? Passado todo esse tempo, mudaria alguma coisa no livro, o que?
MAS: O livro tem recebido elogios. Desde o começo,  se eu tivesse mais espaço, acrescentaria alguns itens no capítulo que fala  sobre o tratamento.

AVN: Para encerrar, diga qual seu processo de criação de textos. Você costuma ouvir música ou prefere o silêncio?
MAS: Sem dúvida, prefiro o  silêncio. Gosto muito de escrever bem cedo, tipo começar escrever  às três ou quatro horas da manhã. É muito agradável.

AVN: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem aos leitores dessa publicação!
MAS: "...tudo é possível ao que crê"   (Jesus Cristo). Amigo Adeildo, eu é que agradeço a oportunidade.


Serviço

O livro pode ser adquirido nos seguintes locais:

Santos:
Livraria Loyola, na UNISANTOS: 
Avenida Conselheiro Nébias, 300

Cubatão:
Livraria Brasil Vida
Avenida  9 de Abril, 2204 - Loja 06 - Centro.
Banca do Ivo
Avenida 9 de Abril (frente às Lojas Pernambucanas).

Preço: R$ 40,00 (quarenta reais).

_________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário