segunda-feira, 11 de novembro de 2013

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NA UNIFESP/BAIXADA SANTISTA

Com o tema "Reflexos de Palmares hoje", a Semana traz intelectuais, acadêmicos, ativistas e artistas para debaterem sobre a questão racial no Brasil de hoje, além das atividades culturais. 

Camélia plantada na entrada da UNIFESP/BS
O Núcleo de Estudos Reflexos de Palmares realiza entre os dias 11 e 13 de novembro a I Semana da Consciência negra da Universidade Federal de São Paulo/ Campus Baixada Santista (UNIFESP/BS). As atividades acontecem no Saguão da Universidade, no andar térreo, a partir das 14h. A abertura da Semana foi realizada hoje (11/11) com o plantio de árvores, entre elas a Camélia, também conhecida como "Dama da Noite" pelo forte perfume que exala durante a noite, flor que representa a resistência dos negros à escravidão. A flor era utilizada como um código entre os negros escravizados e os abolicionistas e pessoas que apoiavam o Movimento na época. A flor era colocada nas portas dessas pessoas, ou plantadas por elas, para indicar que, naquele local eles poderiam bater que encontrariam apoio e abrigo. A flor ficou conhecida como "Camélia da Liberdade". Com uma atividade extensa, a I semana da Consciência Negra da UNIFESP/BS nos proporciona a oportunidade de debater essas questões com pesquisadores internacionais renomados e estudiosos da Questão Racial no nosso país e sua relação com os demais países que, apesar de ter sua maioria da população sendo negra, ainda assim, sofre com os problemas de preconceito de de discriminação racial. A qualidade dos palestrante também é o grande diferencia desse evento. A comunidade da Baixada Santista deve prestigiar as atividades, tendo em vista a importância histórica que tem no processo de luta dos movimentos abolicionistas e dos grandes nomes da região que contribuíram para esse processo.  

Profa Renata Gonçalves (em pé) e da esquerda para
direita: Patrícia Villen, Oswaldo Faustino e Franck Seguy
A programação continuou com a Palestra sobre o Racismo: resistências e permanências, com a participação da doutoranda em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Patrícia Villen, do pesquisador e estudioso da Cultura Negra, Oswaldo Faustino e do professor de Sociologia da Université d'État d'Haiti e pesquisador do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, Franck Seguy. A apresentação dos três intelectuais foi muito esclarecedora sobre as questões raciais no Brasil de hoje. As suas falas nos faz entender e compreender o processo histórico de colonização do nosso país. Com a fala do professor haitiano, também foi possível entender melhor esse mesmo processo no Haiti. As colocações dos palestrantes prendeu a atenção dos alunos e convidados que estavam presentes na atividade. A forma como os temas foram abordados tornou o evento muito agradável e sua linguagem acessível a todos os públicos facilitou o entendimento de todos e de todas. A doutoranda Patrícia Villen nos apresentou uma personagem ainda pouco conhecida entre nós. Nos apresentou em seu livro, resultado da sua dissertação de mestrado, a personagem Amílcar Cabral, líder do Movimento nacional de Libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Na ocasião também disponibilizou para compra o seu livro contando a história desse grande líder. 

Folder com a programação completa da I Semana
da Consciência negra da UNIFESP/BS
Dentre as atividades, também haverá uma homenagem à Carolina Maria de Jesus, a escritora negra que dos papéis encontrados no lixão tecia sua obra prima: Quarto de Despejo! Embora Carolina tenha seus livros traduzidos em várias línguas, ainda é pouco mencionada no ensino oficial. A Semana também faz reverência ao mestre Preto Brás Itamar Assumpção. De acordo com a professora Renata Gonçalves: "Um olhar, mesmo desatento, notará por exemplo, que ali mesmo no nosso campus, a pirâmide racial permanece firme: enquanto somos raríssimos no exercício da docência (3 professores num universo de cerca de 200), na outra ponta, ao contrário, negro(a)s são a ampla maioria a ocupar os postos mais precários da Universidade, especialmente o(a)s trabalhadore(a)s terceirizado(a)s. O mito da democracia racial precisa ser revisitado". A programação segue até o próximo dia 13 de novembro. O encerramento será em grande estilo, onde acontecerá a Festa Feira Preta, que contará com Rodas de Capoeira, Maracatu  Quiloa, Amigos do Macuco, Tarja Preta, Futuráfrica, Preta Soul, BA Kimbuta e muito mais. Confira a programação completa no folder acima. 
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